Moda

10 razões para o fim da moda (como conhecemos)

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Ontem me pediram uma orientação de tendências do inverno 2016 para desenvolver um produto, horas  antes eu conversava sobre a crise das tendências. Como analista de tenedências de moda, eu costumava estar cinco anos a frente em previsões de macro-tendências e viver 3 estações simultaneas: como consumidora monitorar a estação vigente, como estilista pesquisar a próxima e ao lado da indústra de cores e de tecido, estar duas estações a frente.

Atualmente ainda há indústrias e agências que criam seus sazonais trend reports com as direções de cores, estampas, silhuetas.. Hoje fazer uma análise de tendências transversal é redundante, os trend reports de 2016 são tão parecidos com o de 2012 em um discurso parnasiano de um futurismo que não inspira a busca do novo, é o batido “mais do mesmo”, usado também para coleções de estilistas em “releituras” de décadas passadas.  Ler provisões energéticas sobre o equinócio e eclipse de hoje me inspirou mais a imaginar uma moda compatível para esse novo tempo.

Como hoje é favorável pensar em mudança, algo que está sendo amplamente compartilhado (e deve ser ainda mais) é o  Anti_Fashon Manifesto de Li Edelkoort apresentado mês passado no Design Indaba na Cidade do Cabo, com “Dez razões pelo qual o sistema de moda é obsoleto”.

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” Estes dez pontos argumentam que a indústria atingiu um ponto de fuga da moda,” ela escreve no manifesto Destaco aqui seus argumentos que merecem uma reflexão:

  1. Educação:

Li argumenta que nas faculdades de moda os estudantes são treinados “para tornarem-se designers de passarela, estrelas e divas altamente individualistas, para serem descobertos por marcas de luxo.”

“Como resultado, o  mundo da moda ainda está trabalhando em um modo do século 20, comemorando o indivíduo, elevando as it-pessoas, desenvolvendo a exceção … em uma sociedade faminta por consenso e altruísmo,”

“Isso coloca a moda fora da sociedade e de fato a torna old-fashioned” (antiquada).

  1. Materialização:

A redução de custos, tanto no sistema de ensino quanto nas empresas de moda está a ameaçar a indústria têxtil. ” O primeiro a ser sacrificado são os ateliers de malharia e tecelagem”, diz ela.” Como resultado, os alunos não são mais instruídos na criação têxtil e de conhecimentos básicos sobre tecido pano.” Isso significa que as indústrias têxteis, de fios e fibras Européias estão ameaçadas de extinção. ” Sem eles o conhecimento de fiação, tecelagem, acabamento e impressão serão perdidos,” ela alerta.

  1. Manufatura:

Com redes de abastecimento cada vez menores, o sistema precisou se reestruturar. Como? Recorrendo aos países de economia fraca. Assim, o lucro das marcas é ainda maior.

As redes de abastecimento cada vez menores levou a um “processo de reestruturação rápido e sórdido, que viu a produção de deixar o mundo ocidental para lucrar e explorar países de baixos salários.” Ao invés de boicotar marcas que empregam mão de obra barata, os clientes, em vez ficar seduzido por roupas baratas e descartáveis.

“Agora que várias peças de vestuário são oferecidos mais barato do que um sanduíche todos nós sabemos e sentimos que algo está profundamente e devastadoramente errado,” ela escreve. De fato, há anos (durante o seu ápce) o Douglas e eu já conversaramos sobre o fim do fast-fashion.

  1. Preços:

” Mas o pior de tudo é o simbolismo de tudo,” Edelkoort continua. ” Preços professam que essas roupas são para ser jogado fora, descartado como um preservativo e esquecido antes de ser amado e saboreado, ensinando os jovens consumidores que a moda não tem valor. A cultura da moda é assim destruída. ”

  1. Designers:

Os grandes nomes do passado foram capazes de mudar a sociedade através da introdução de novas silhuetas, novas posturas e novas formas de movimento. Designers de hoje, reciclam infinitamente as tendências do passado. “Os designers de luxo são solicitados pelo marketing da marca para focarem no produto e necessidade de dar maior parte de sua energia criativa para bolsas e sapatos e são bastante resignado relativo à criação de roupas”.

  1. Marketing:

Edelkoort usa uma linguagem particularmente feroz quando se discute marketing, argumenta: “É, sem dúvida, a perversão de marketing que, em última instância ajudou matar as indústrias da moda.”

“Inicialmente inventado para ser uma ciência, misturando-se a previsão de talentos com os resultados de mercado para fixar estratégias para o futuro, ele tornou-se progressivamente uma rede de tutores temerosos de marcas, escravos de instituições financeiras, reféns dos interesses dos acionistas, um grupo que há muito tempo perdeu a autonomia para a mudança direta. ”

  1. Publicidade:

Anúncios em revistas “são tão repetitivo e tão parecidos que é um pouco difícil de ler os vários valores da marca”, enquanto publicações conspiram com marcas para amarrar cobertura editorial com publicidade.

“As mesmas roupas, mais ou menos, são usados nos editoriais que estão fortemente arte dirigida pela economia de anúncios publicitários; uma nova marca tem pouca ou nenhuma chance de ser destaque.”

  1. Imprensa e Blogs:

Padrões do jornalismo estão escorregando como editores de moda experientes sendo substituídos por escritores mais jovens com nenhum conhecimento especializado ou perspectiva crítica. Ela diz: “O humor genial e conhecimento de alguns dos melhores jornalistas de moda de jornais internacionais é rapidamente substituído por generalizações desinteressantes por uma geração mais jovem, artigos que são páginas de opinião, em vez de avaliação crítica do ponto de vista profissional.”

  1. Varejo:

O varejo não conseguiu acompanhar os tempos, afirma. “Como consequência, estamos lutando com formatos ultrapassados que não correspondem mais aos consumidores de hoje fluidos, capaz de navegar alta e baixa, cidade e país, aeroporto e hotel, on line e em tempo real.”

  1. Consumidor:

“Os consumidores de hoje e amanhã vão escolher para si, criar e projetar seus próprios guarda-roupas”, ela escreve. “Eles irão compartilhar roupas entre si uma vez que a posse não tem mais importância. Eles vão alugar roupas, emprestar roupas, transformar roupas e encontrar roupas nas ruas.”

Os consumidores em geral estão tomando estilo em suas próprias mãos, enquanto o Vale do Silício produziu a primeira geração de consumidores super-ricos que não se preocupam com a moda. “A moda perdeu esses consumidores ao longo dos últimos vinte anos e não será capaz de voltar a eles”, ela conclui, terminando com uma previsão de que as roupas, não a moda, será o principal tema de conversa nos próximos anos.

“As roupas se tornarão a resposta às orações das nossas indústrias. Roupas vão dominar as tendências para o futuro. Por isso vamos celebrar as roupas.” A única exceção ao quadro desolador é a moda masculina, Edelkoort argumenta, dizendo que os homens estão cada vez mais interessados “em moda e acessórios, bem como cosméticos e fragrâncias.”

Ela prevê que a alta-costura vai fazer um retorno, ocupando o vazio deixado pela moda: “Depois de tudo, é no atelier de costura que vamos encontrar o laboratório deste  trabalho de amor. De repente, a profissão de costureiro se tornará cobiçado e a forma exclusiva de elaborar costura será inspirando todos os outros. ”

Na Cidade do Cabo, Edelkoort substituiu a segunda parte de sua usual apresentação visual,  com a leitura desse ensanio entitulado Anti_Fashion Manifesto, listando e expandindo os fatores para a morte de moda. Ela começou dizendo: “Para mim, isso não é fácil, porque eu gosto de tendência. A perda de estilo é doloroso e eu sou um pouco nostálgica. ”

Ela apresentou 10 razões para o fim da moda. Se o termo moda vai virar história ou ganhará uma nova conotação, depende de nós.

Sempre na minha versão beta. Stylist. Formada em estilismo e design de moda, se especializou em pesquisa de moda, de forecasting a cool hunting.

  • Laura

    AMEI!!! Principalmente as partes falando sobre a sista feia de eprouvetar de trabalho barato e a morte das tecnicas e sabedoria. Adoro estilisyas como Ronaldo Fraga Que celebram as artesas e tradicoes