Entretenimento

Exposition Azzedine Alaïa

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Carlos Rodrigues
Azzedine Alaïa
Paris, 5 novembro 2013

Essa tarde decidi visitar a exposição Azzedine Alaïa no Museu da Moda de Paris, o Palácio Galliera. Esse local excepcional, palácio do século 18 em um dos bairros mais interessantes de Paris, a algumas centenas de metros da Torre Eiffel, do Trocadero e da ponte d’Alma (onde nossa Lady Diana deixou o seu ultimo suspiro) ficou fechado para reformas e manutenção por mais de cinco anos. Se não fosse as inúmeras atividades relacionadas com a moda que essa cidade nos proporciona, teria mesmo dito que estávamos órfãos.

alaiaA direção do museu, na sua sabedoria e bom gosto, decidiram que a reabertura dos locais deveria ter um impacto, não somente ligado com o mundo da moda, mas com o mundo da arte, da cenografia e obviamente, de um bom gosto irrefutável, onde não deixaria espaço às criticas ferozes que os jornalistas franceses se sobressaem. Em um consenso geral o nome de Alaïa foi citado e imediatamente adotado. Quem mais para representar a moda em todos seus estados que esse francês de origem tunisiana, escultor antes de artista de moda, homem que o amor às mulheres o levaram a sublima-las mais que a si mesmo. Que vestiu de Greta Garbo a atual Rihanna, que inventou as famosas leg pants, que trabalhou o couro como se fosse seda, que introduziu a malha, o tricô e o crochê na alta costura, que faz o seu próprio calendário de desfiles e apresentações, deixando os jornalistas perdidos, mas sempre presentes, afinal quem poderia perder uma ocasião única de ver e sentir o que é realmente estilo. Esse Alaïa que todos respeitam, que todos admiram e que todos reconhecem como sendo um dos maiores representantes do bom gosto e do luxo « a la française » .

 

Cheguei com o coração aberto e a mente repleta de memórias passadas de vestidos, capas, acessórios que o mestre já tinha me permitido ver nos seus ateliers de costura, na época em que eu ainda era um jovem estagiário de imprensa da maison Lanvin, entre outras, e por um acaso da vida me encontrei cara a cara com monsieur Alaïa em uma de suas tardes de ajustamentos. Ele é um dos únicos que sabe fazer de tudo, que esta presente, entre todos os outros criadores de moda, conhecidos ou nao, do inicio ao fim do processo. Da elaboração da ideia, ao desenho, do corte ao ajustamento, das transformações aos acessórios que as peças devem comportar.

– Entro. A cenografia é perfeita. Nos sentimos em um filme em preto em branco de suspense, tudo é leve, no entanto curiosamente, vejo nos olhares daqueles que já estão na exposição, esse estado de pesquisa que temos quando somos diante de algo que compreendemos, mas não explicamos. Essa minha suposição é validada quando estendo a orelha e escuto à minha volta os comentários « sensacional, mas como isso pode ser feito ? » ou « lindo, perfeito e curioso » ou ainda « isso não é um vestido, isso não é uma peça para se guardar em casa, isso é uma obra de arte ». Eu pensando baixinho « Vox populi, vox Dei ».

– Avanço. Os responsáveis pela exposição a quiseram sem sentido próprio de visita, a cenografia de Martin Szekely respondeu a esse pedido com bom gosto. Podemos começa la pela direita ou pela esquerda, pelo Salon d’Honneur (salão de honra) ou pela ante-sala, o importante é estar la, presenciar, sentir. Isso nos deixa uma liberdade que traduz mesmo o pensamento de Alaïa, a liberdade antes de tudo, o movimento em primeiro lugar, o conforto antes da elegância, nós antes do mundo.

Prefiro que as pessoas olhem a mulher e nao o que ela veste. Um vestido deve valorizar suas mãos, sua pernas, seu rosto. Deixa la mais bela ainda

Azzedine Alaïa

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Percebemos que Alaïa, na suas obras, vai direto ao essencial, o que não exclui uma extrema sofisticação no corte, quase sempre complexo.

– Continuo. Incrível como conseguimos sentir a matéria sem tocá-la, a ausência de costura aparente nos deixa perplexos, a escolha do zíper como acessório de luxo, do preto sobre o preto e ainda sobre o preto, deixando somente a luz ambiente definir os contornos. Esse aluno da Escola de Belas Artes de Tunis aprendeu a escultura, aqui ele nos ensina a admira la. Crianças, adultos, jovens, todos em silencio diante obras que, com certeza, deve ter tirado suspiros e suscitado comentários quando foram vistas pela primeira vez, em uma festa, em um baile, à uma entrega de prêmio.

Finalizo a minha visita com esse vestido que ainda esta em meus pensamentos. Um vestido marfim em alaia6jérsei de Rayonna em bandas, inspirado de múmias do antigo Egito (ele pertence a coleção particular de Azzedine Alaïa), um ponta-pé no meu espírito pratico. Uma maravilha a ser admirada.

Observei e sem nenhuma pretensão posso dizer que muito aprendi. Que essa tarde de outono chuvoso foi para mim mais que uma revelação de bom gosto, mas uma tarde de experiências sensoriais e de admiração do bonito, do elegante, onde técnica existe, mas religiosamente escondida, deixando lugar apenas a beleza. A única frase que me vem à mente é que a reabertura do museu Galliera, depois de tanto tempo fechado, foi um presente aos parisienses e a todos aqueles que aqui vivem ou passam, que se interessam à moda. Valeu a pena esperar esse tempo todo.

 

Crédito fotografias: Carlos Rodrigues, Patrick Demarchelier, Benedicte Bro

Exposição de 28 de setembro 2013 à 26 de janeiro 2014

Palais Galliera, museu da moda da cidade de Paris
10 avenue Pierre Ier de Serbie
75116 Paris

www.palaisgalliera.paris.fr

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